Kutná Hora: entre o macabro e o bucólico, um bate-volta imperdível a 1h de Praga

DIA 18 DE ABRIL DE 2012
Nosso objetivo era conhecer o Ossuário de Sedlec, a famosa igreja decorada com ossos humanos, mas acabamos descobrindo uma charmosa cidade com um clima bucólico que nos deixou encantados. Veja neste post como é fácil chegar em Kutná Hora de trem a partir de Praga em apenas 1h e descubra porque este bate-volta é imperdível.

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Londres, Praga e Istambul: viajando por 3 mundos em 15 dias

Até chegar em Praga, a gente nunca tinha ouvido falar na cidade de Kutná Hora. No ano de 2012, eu ainda não era tão antenado com blogs de viagem e fiz meu roteiro inteiro baseado no guia da cidade de Praga, que peguei emprestado com uma colega de trabalho.

A Priscila, chegando na estação ferroviária principal de Praga

A Priscila, chegando na estação ferroviária principal de Praga

Depois de termos conhecido as principais atrações de Praga, tive a ideia de explorarmos um pouco mais o interior no nosso último dia e ouvi falar do famoso Ossuário de Sedlec, que ficava numa cidadezinha bem próxima.

Então resolvemos tudo meio de última hora e compramos nossa passagem no dia anterior, direto na estação ferroviária principal de Praga. Compramos os bilhetes para o trem que partia ao meio dia, chegando em Kutná Hora em pouco menos de 1h. O ideal é tentar reservar as passagens com um pouco mais de antecedência, então recomendo o site oficial da companhia de transporte ferroviário, onde podemos comprar passagens que custam até 106 CZK, segundo pesquisa na data de hoje.

Viajamos numa espécie de cabine coletiva, num trem de médio conforto, mas a viagem foi muito rápida. Chegando em Kutná Hora encontramos uma cidade pacata e tranquila. Seguimos o fluxo de turistas desembarcando na estação sem termos a menor ideia do que nos esperava…

Como chegar na tal igreja de ossos? O que mais ver na cidade? Chegando na hora do almoço, encontraríamos algo aberto? E o tamanho da cidade… Será que seria fácil nos locomovermos pela cidade?

Estação de trem de Kutná Hora

Estação de trem de Kutná Hora

Como era nosso último dia na República Tcheca, até nosso dinheiro na moeda local estava acabando. Hoje me parece loucura chegar assim sem saber de nada, mas foi exatamente como fizemos. Apesar disso, valeu muito a pena e ao longo deste post eu vou contar como nos viramos na cidade…

Kutná-Hora (1)

Mapa na estação de trem

Placa com dicas de transporte

Placa com dicas de transporte

Na saída da estação algumas placas davam dicas sobre como circular na cidade e mostravam também um mapa geral com as principais atrações turísticas. No início ficamos um pouco surpresos com a distância da estação até o centro histórico, pois ficou claro que não seria possível chegar lá a pé em pouco tempo.

Felizmente o famoso Ossuário de Sedlec ficava bem pertinho dali, então decidimos ir caminhando e fizemos nossa primeira parada na Catedral da Assunção de Nossa Senhora e São João Batista, que é a primeira igreja em estilo gótico da região da Boêmia e foi declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.

The Church of the Assumption of Our Lady and Saint John the Baptist

Altar da Igreja da Assunção de Nossa Senhora e São João Batista

A igreja é muito bem cuidada e tem um interior claro e arejado, muito diferente das outras igrejas góticas que vemos por lá. Os tons amarelos da decoração interna dão um toque parecido com as igrejas contemporâneas, no entanto, em suas obras de arte e relíquias sagradas vemos os primeiros sinais da representação da morte, mostrada de forma tão explícita nas igrejas de Kutná Hora.

Kutná-Hora (3)

Relicário de São Vicente

Ali na igreja, com um jeito meio impaciente de quem houve a mesma pergunta centenas de vezes por dia, fomos informados por uma funcionária que o Ossuário de Sedlec ficava ali pertinho e aproveitamos para comprar um passe de museu que dava direito a várias atrações na cidade e tinha uma espécie de livreto dando as direções.

Então finalmente chegamos na Capela de Sedlec, que fica sob o Cemitério de Todos os Santos.

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Cemitério de Todos os Santos na Capela de Sedlec

O ossuário fica no nível do subsolo da igreja e já no portal de entrada podemos ter um vislumbre das peças de decoração da capela, com vários ossinhos de crânios de crianças formando símbolos sinistros.

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Entrada do Ossuário de Sedlec

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Interior da Capela de Sedlec

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Brasão da família Schwarzenberg, feito com ossos humanos

Tudo na decoração é feito com composições de ossos, que formam lustres, candelabros, brasões, etc. É um verdadeiro festival de crânios, úmeros, tíbias, costelas e todo tipo de partes humanas… ou não. Segundo a wikipedia, estima-se que o ossuário contenha entre 40,000 e 70,000 esqueletos.

Ainda segundo a wikipedia, a igreja foi construída no meio da área de um cemitério onde milhares de pessoas haviam sido sepultadas e um ossuário foi construído para as covas coletivas desencavadas durante a construção. Anos mais tarde um monge cego recebeu a ingrata tarefa de exumar os ossos e empilhar os esqueletos.

O trabalho não deve ter sido dos mais primorosos, mas permaneceu lá até 1870, quando o xilógrafo František Rint foi contratado pela família Schwarzenberg para organizar os ossos e resolveu dar seu “toque pessoal” a organização…

Pesquisado no Google encontrei uma explicação interessante que diz que a intenção do “decorador” era  ressaltar a inescapabilidade da morte, porque ao entrar no ossuário o visitante sempre lembrará de sua própria condição mortal… profundo, não?

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Doações em moedas espalhadas sob crânios humanos

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Eu, debaixo do sinistro candelabro da Capela de Sedlec

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Detalhe da decoração “fofa” da Capela

Bem na saída do ossuário fomos abordados por um motorista de van oferecendo um serviço de transporte até o centro da cidade. No início ficamos meio desconfiados, porque estes serviços “pega-turistão” costumam ser furada, mas depois percebemos que seria difícil arranjar uma boa opção de transporte e o preço dele era bem melhor do que de um taxi… E os taxistas tchecos, diga-se de passagem, não tem uma reputação lá muito boa.

O esquema seria o seguinte: Ele nos levaria até a Catedral de Santa Bárbara e por volta das 16:30 nos pegaria em frente ao Tribunal Italiano e nos levaria até a estação de trem.

No final, o serviço foi muito bom, barato e o cara ainda era super simpático! Acho que foi pura sorte, porque estávamos na baixa temporada, já era tarde e a cidade estava bem vazia… Em uma época normal de alta demanda, não acho que seja uma boa ideia chegar lá sem opções de transporte, assim pra “ver qualé”…

Como alternativa, eu posso citar  este post do blog “fui e vou voltar” do meu xará, Alessandro Paiva, que dá algumas dicas bacanas de transporte e excursões guiadas, além de um relato interessante com muitas histórias e fotos. 

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Edifício de uma Escola Primária no caminho para o centro

A parada seguinte foi na belíssima Catedral de Santa Bárbara.

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A fachada da Catedral de Santa Bárbara, em restauração

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Interior da Catedral de Santa Bárbara

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Detalhe do teto da Catedral de Santa Bárbara

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Obras de arte na Catedral de Santa Bárbara

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O órgão da Catedral de Santa Bárbara

Em frente a Catedral fica a ponte da Via Barboská, com esculturas ao longo de seu comprimento, dispostas de forma bem parecida com a Ponte Carlos de Praga. De um lado ela percorre o prédio do Colégio Jesuíta e do outro dá acesso a uma vista incrível para um parque, dando um visual meio bucólico para nossa chegada ao centro de Kutná Hora…

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As esculturas da via Barboská

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Vista para parque Breüerovy sady, a partir da via Barboská

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Mais uma das belas vistas, descendo a via Barboská

Algumas vezes uma viagem não planejada pode reservar agradáveis surpresas. Eu esperava uma visita a um local macabro, em uma cidade de arquitetura gótica ou algo parecido e descobrimos uma simpática cidade de clima bucólico e belas paisagens… e ainda fomos agraciados com este céu azul que não víamos há séculos em nossa viagem.

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Uma praça e as casinhas coloridas no entorno da Rua Barborská

Coluna de Virgem Maria Imaculada

Coluna de Virgem Maria Imaculada, na Rua Šultysova

Depois de um período de contemplação, ficamos circulando pelas ruas estreitas do centro, em meio a casinhas coloridas de aspecto medieval e detalhes que evidenciam a fé católica em todos os lugares.

A esta altura já estávamos famintos e partimos em busca de um restaurante, o que se mostrou uma tarefa muito difícil por 2 motivos: já era tarde e muitos estabelecimentos já tinham fechado e nós estávamos procurando um restaurante que aceitasse cartão de crédito, porque estávamos sem Coroas Tchecas.

DICA: procure almoçar em torno de 12h ou 13h e sempre leve dinheiro em espécie quando estiver visitando uma cidade do interior, em qualquer país da Europa.

Acabamos ficando no simpático restaurante Café Harmonia, que fica na Rua Husova, número 105. Eles tem opções de mesas ao ar livre (no verão deve ser agradável) e mesas na parte interna, num local aconchegante com decoração descolada. Eu a Pri almoçamos praticamente sozinhos.

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Interior do charmoso restaurante Café Harmonia

Saindo de lá conhecemos o tal Vlasský dvur, que em tcheco quer dizer “Tribunal Italiano” e ali nas redondezas ficamos o resto da tarde contemplando a paisagem do parque, enquanto esperávamos o horário de chegada da van…

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Interior do Vlasský dvur ou Tribunal Italiano

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Ao fundo, a Catedral de Santa Bárbara e o Colégio Jesuíta

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Eu e ao fundo uma das mais belas vistas de Kutná Hora

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Minha irmã, Priscila, nos arredores do Tribunal Italiano

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Pessoas se divertem jogando freesby em meio a paisagem bucólica de Kutná Hora

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Monumento a Karel Havlíček Borovský

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Vista para o prédio do Tribunal Italiano

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De volta a estação de trem de Kutná Hora para a despedida

No final do dia retornamos para Praga e ainda tivemos tempo de arrumar nossas malas para a viagem do dia seguinte e ainda sair pra jantar. Valeu a pena este bate-volta decidido de última hora, pois mesmo sem planejamento, ir e voltar pra Kutná Hora a partir de Praga é muito fácil!

Assim terminamos nosso último dia na República Tcheca e nos preparamos para a viagem do dia seguinte, rumo a Turquia… Aguardem pelos novos posts sobre a vibrante cidade de Istambul!


Clique no link a seguir para ler sobre o Roteiro completo da viagem de 15 por Londres, Praga e Istambul.
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4 pensamentos sobre “Kutná Hora: entre o macabro e o bucólico, um bate-volta imperdível a 1h de Praga

  1. Oi Alessandro, muito bom o post, muito detalhado.

    Devo copiar seu roteiro e fazer a mesma coisa na viagem que farei ano que vem.

    Sabe mais ou menos que horas você retornou à Praga? Como vou no verão e sei que escurece tarde gostaria de saber se ainda daria para aproveitar alguma coisa do fim do dia em Praga ou se com essa ida a Kutna Hora considero o dia como encerrado.

    Obrigado e abraços!

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    • Oi Rafael, que bom que você gostou!
      Nós pegamos a van de volta pra Praga por volta de 16:30, que foi o horário combinado com o motorista. As 18h a gente já estava passeando pela Praça Wenceslau, com o dia claro ainda.

      Mas se eu tivesse a flexibilidade de ficar mais um pouco, eu ficaria. Acho que tinha muito mais pra conhecer em Kutná Hora.
      No dia que eu fui, tinha muita coisa fechada na cidade e ela estava meio morna. Como você vai no verão, talvez as coisas estejam mais agitadas por lá…

      Então eu daria 2 conselhos:
      – Por ser alta temporada, é melhor não fazer como eu e tentar reservar um motorista ou transfer com antecedência.
      – Se dê a liberdade pra explorar mais a cidade e para o final do dia em Praga, deixe algum programa “coringa”, que pode ser feito naquele dia ou não… Se você encher o saco de Kutna Hora, parte pra Praga e continua o passeio por lá. Se quiser curtir mais, fica mais a vontade, sacou?

      Aproveite o passeio! Se precisar de algo, estamos por aqui.

      Abraço!

      Não vale comprar um ingresso pra uma peça de teatro ou algo parecido, que vai te obrigar a voltar correndo! rsrsrs

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